quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

ID

Engraçado. Mais uma vez eu acordo no meio da madrugada, sem sono algum, num estágio de pensamento constante. Não sei direito o que está acontecendo comigo nesses últimos meses. Não falo pelo fato de estar acordando nesse horário, mas sim pelas coisas que eu estou passando, ou talvez pelas definições e indefinições que tento encontrar a cada dia.


Sempre tive vontade de me entender, sei lá, procurando talvez um grupo em que eu me encaixasse, amigos que fizessem parte de algo em que eu pudesse me envolver e colher algumas explicações e proveitos disso.

Encontrei algumas pessoas que me falaram a respeito disso. Encontrei pessoas que eram faladas e tinham algumas características comentadas por isso. E aí, me joguei nesse pequeno, ou talvez já grande mundo que pensei ser o meu encaixamento.


Busquei explicações, busquei conceitos, busquei estilos de vida pra entender melhor a minha condição. Sempre me vi alguém diferente, me achei meio deslocado do meu mundinho que sempre estive acostumado e buscava sempre algo que eu pudesse dizer: “Esse é o meu lugar”.


Uma busca por identidade.


E eu percebi uma coisa. Que conflitante é a inconstante busca por uma identidade. É provável que todas as pessoas se entreguem a uma relevante emancipação do seu próprio eu para dinamizar a questão do indivíduo.

Eu sempre estive pensando na questão identidade, no fato de estamos sempre ligados a um mundo, mas nunca mostrarmos a ele o que somos ou queremos de verdade.


É como se tivéssemos vergonha de dizer o que compõe o nosso interior ou talvez expor nossas necessidades por imaginar que ninguém é igual a gente ou que talvez não sejamos aceitos por aquilo que a gente é.


Todos nós somos diferentes um do outro. Todos nós possuímos qualidades e defeitos distintos, isso é o que nos torna diferentes a nossa maneira. É uma coisa tão interessante que nós mesmos não nos damos conta disso.


Mas até hoje não entendo o porquê da minha diferença. Não entendo por que tive que nascer com características tão próprias e um padrão tão diferente dos outros familiares que tenho.


Houve momentos em que realmente me vi como um estranho dentro de meus próprios conhecidos. E aí fiquei tão deslocado que senti vontade de sair correndo pra encontrar uma saída.


Meus familiares sempre amáveis, receptíveis, chorosos às vezes, que demonstram tanto sentimento um pelo outro. E eu tive que nascer uma pessoa tão fria, sem sentimentos demonstrados, uma perfeita pedra que não se importava com os sentimentos de ninguém. Se sofressem, se chorassem, se sorrissem, se brincassem, tudo pra mim era uma coisa só.


Mas o fato é que aprendi com o tempo que eu somente fazia isso pra encobrir muitas coisas que eu realmente pensava. Amigos e pessoas me fizeram ver isso.


Eu não queria que ninguém visse o que realmente sentia ou que tinha alguma forma de carinho. Queria ser sempre o imparcial e o mais independente. Pra mim os sentimentos era uma demonstração de fraqueza. E eu não queria ser fraco. Queria ser auto-suficiente.


Só que eu percebi que a coisa não funciona assim. Precisamos dos outros. Precisamos de companhia. É impossível se estar sozinho e conseguir permanecer sozinho.


O fato é que podemos ter uma identidade própria, mas não podemos abrir mão das outras que compõem a nossa vida.

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